Há muitos anos, nascia na Grécia o filósofo Pirro de Élida (318-272 a.C.), o pensador mais importante da filosófica cética. Embora não tenha deixado escritos, a escola cética foi fundada por discípulos de Pirro e conquistou adeptos até os anos mais recentes. Sexto Empírico era um desses discípulos e foi essencial para que o ceticismo encontrasse importância na Filosofia. A palavra ceticismo vem do grego “sképsis” que significa “exame, investigação”. Ceticismo se opõe ao Dogmatismo, são basicamente as duas correntes filosóficas de maior importância. Dogmatismo consiste na certeza de que existem verdades e que podem ser alcançadas.
Enquanto isso, o senso comum utiliza o termo “cético” para designar alguém que não acredita em nada. O ceticismo filosófico é um pouco diferente: consiste na ideia de que não podemos alcançar verdades absolutas, e que devemos renunciar a qualquer certeza. Mas ao mesmo tempo, segundo Sexto Empírico, sempre se baseando nos ensinamentos pirrônicos, a escola cética busca a verdade constantemente. Para ele, é preciso cuidado ao dizer que não existem verdades absolutas, pois seria o equivalente a um dogmatismo negativo. Além disso, quando alguém diz “não existem verdades absolutas”, ocorre um paradoxo, pois se verdadeiro, o enunciado indica que há uma verdade absoluta, a de que não há verdades absolutas, ao mesmo tempo, o enunciado se torna falso. A felicidade e o bem estar da mente, segundo o cético só é possível através da suspensão do juízo, o que em grego se diz “epoké”. A suspensão do juízo implica em não se perturbar com as questões, sejam elas metafísicas, religiosas ou científicas. Isso traria paz a alma.
Mas como o ceticismo filosófico se relaciona a ciência? Por que trago essas reflexões? Bom, a meu ver, o conhecimento científico é em sua essência dogmático, assim como a maioria dos sistemas filosóficos. Busca-se uma solução para as questões da humanidade que seja única e universal, especialmente em nossas crenças ocidentais, crenças pautadas em sua maior parte pelo cristianismo e pela crença em Deus.
Entretanto, pensando como Pirro, me parece interessante assumir a suspensão do juízo, evitando a perturbação da mente. Evitar a pertubação da mente não implica apatia em relações às questões da humanidade, implica principalmente, promover a busca constante da verdade, pois ela pode nos motivar a construir o edifício da ciência, em bases mais sólidas. Assumir a nossa incapacidade de alcançar verdades absolutas, mas mantendo sua busca, nos possibilita um questionamento constante, que é muito importante ao adquirir e compartilhar conhecimento.
Para onde leva a busca da verdade científica? Deixo essa questão em aberto para reflexão.
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