domingo, 13 de setembro de 2020

Aparência e Realidade. O exemplo da mesa em Russell.

 Um dos meus filósofos favoritos, Bertrand Russell discute em seu livro "The Problems of Philosophy" uma das questões mais caras e instigantes da Filosofia: a noção de aparência e realidade. Para trazer essa discussão, irei me basear no exemplo da mesa de Russell, que está contido no primeiro capítulo do livro citado. 

Para exemplificar a questão entre aparência e realidade, Russell traz as dificuldades que ocorrem em reconhecer a natureza real da mesa. Podemos dizer que a mesa é marrom, retangular e dura ao toque. Podemos? Bom, se incidirmos uma luz azul sobre a mesa ela já não surgirá como marrom; da mesma forma, dependendo do ângulo observado a mesa não será retangular e parecerá menos dura caso sentemos na mesa, ao invés de a tocarmos com os dedos. Portanto, o que assumimos como a mesa real nada mais é do que uma percepção ordinária das condições mais comuns, condições que não são universais. Assim, surgem duas questões: Existe uma mesa? Se sim, que tipo de objeto é? 

Russell chama de dados sensíveis aquilo que conhecemos imediatamente pela sensação e chama de sensação a experiência de tomar consciência dos dados sensíveis. Supondo que a mesa exista, ela é chamada de objeto físico. A coleção de objetos físicos é chamado "matéria". Daí, surgem duas outras questões: Existe algo como a matéria? Se sim, qual é sua natureza?

Colocado essas questões que moveram muitos filósofos desde a origem da Filosofia, nos gregos, Russell encerra o capítulo com uma consideração essencial para toda a história da Filosofia. Encerro meu texto com ela:

"Among these surprising possibilities, doubt suggests that perhaps there is no table at all. Philosophy, if it cannot answer so many questions as we could wish, has at least the power of asking questions which increase the interest of the world, and show the strangeness and wonder lying just below the surface even in the commonest things of daily life."

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